EXCESSO DE PESO NA INFÂNCIA

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Excesso de peso (sobrepeso e obesidade) na infância e adolescência é um problema de saúde pública internacional, sendo o Brasil um dos países deste cenário. No último censo realizado no território brasileiro, Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF), realizado em 2008/2009,  uma em cada 3 crianças de 5 a 9 anos estava acima do peso recomendado pela OMS.

 

Esse problema de saúde – excesso de peso infanto-juvenil – é um importante motivo de preocupação para os pais nos consultórios de pediatria, contudo uma grande parcela dos pais ainda negligencia a doença, não a reconhecendo como um problema merecedor de intervenção. Muitos pais e até profissionais acreditam que deve esperar a criança crescer para resolver o problema, baseando-se numa falsa premissa de que o crescimento resolverá espontaneamente a situação.

 

Indubitavelmente o tratamento do excesso de peso requer suficiência de conhecimentos científicos na área da nutrição para que a população pediátrica receba orientações alimentares adequadas e, portanto não sejam expostas a tratamentos ineficazes e até danosos.

 

Nunca é demais reiterar que muito antes de pensar no tratamento ao excesso de peso infantil, pensemos nas medidas preventivas. As evidencias cientificas são consistentes que a primeira delas é o pré-natal, e este ultimo pressupõe a preparação de um ambiente saudável para o crescimento deste bebê, sendo a abordagem multiprofissional primordial nesta perspectiva. A segunda é o aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida. A terceira inicia-se no segundo semestre de vida do bebê, é o inicio da introdução da alimentação complementar. A maneira como os alimentos são apresentados à criança será impactante na prevenção não somente da obesidade, mas no déficit de crescimento, anemia, obstipação intestinal, alergia, dentre outras.

 

Na fase seguinte, na idade pré-escolar (1-6 anos), propiciar uma vida fisicamente mais ativa, estimulando diversões como esconde-esconde, pega-pega, dança, velotrol dentre outras, representa não somente previne o excesso de peso, mas auxilia o processo de formação de uma consciência corporal desde a mais tenra idade.

 

Entretanto, a despeito do recomendado pelas organizações de saúde essas medidas preventivas estão bem aquém do dia-a-dia das crianças. O desmame precoce, a introdução inadequada de alimentos no inicio da vida e a restrição do lazer a atividades sedentárias são uma regra de comportamento.

 

Estamos assim diante de um DESAFIO da sociedade. E enquanto estamos aqui discutindo o problema está aumentando… É sabido que não podemos esperar exclusivamente por iniciativas pessoais e que as intervenções políticas amplas são fundamentais neste enfrentamento. Neste propósito, à regulamentação das propagandas referentes à alimentação infantil, o Programa de Saúde na Escola, o Programa Nacional de Alimentação Escolar, o Programa de Saúde da Família, a puericultura, o estímulo aos pequenos e médios agricultores, a ampliação de praças públicas de lazer são grandiosos exemplos.

 

Cabe a nós profissionais da saúde, pediatras, nutricionistas, educadores físicos dentre outros, participar ativamente deste debate, bem como se atualizar cientificamente em busca de uma prática eficiente, efetiva e segura. As crianças que chegam aos consultórios precisam de cuidados adequados, iniciando com uma anamnese detalhada, um bom exame físico e um diagnóstico nutricional preciso. Diante disso temos a base de um tratamento responsável e com chances elevadas de sucesso.

 

Na Nutrição muitos mitos precisam ser derrubados e um novo paradigma ser difundido. As crianças com excesso de peso continuam sendo crianças, e precisam ser respeitadas enquanto crianças no seu aspecto biopsicossocial. Do ponto de vista de recomendações nutricionais, essas crianças não precisam somente de fibras, carboidratos complexos, vitaminas e sais minerais, elas ainda continuam necessitando de muita caloria e de gordura de qualidade para o seu crescimento e desenvolvimento.

 

O objetivo principal no tratamento do excesso de peso na infância e adolescência é a adoção de práticas saudáveis de vida e entre as mesmas, a alimentação saudável. Às metas específicas em relação ao peso corporal, depende da idade da criança, do grau de excesso de peso e da presença ou não de co-morbidades (doenças associadas ao excesso de peso). Assim sendo, depreende-se que as metas estabelecidas para duas crianças com a mesma idade podem ser bem diferentes a depender da sua condição clínica inicial.

 

Nunca é tarde para desestimular o uso excessivo de preparações com alta concentração de amido e de sacarose, como mingau, achocolatados, biscoitos recheados, balas em geral, sucos adoçados principalmente os industrializados. Bem como nunca é tarde para estimular o consumo de laticínios integrais, RAÍZES (inhame, aipim, batata doce), cereais integrais nas suas diversas formas (arroz, biscoitos, bolos), frutas, verduras, legumes e muita água.

 

Autoria: Ms Bárbara AndradeNery

Nutricionista Infanto-Juvenil

Preceptora na Residência Multiprofissional de Saúde na Infância no Hospital das Clínicas da UFBA

Nutricionista na Clinica de Especialidades Pediátricas Ceci

Telefones: (71) 99147-6298 (71) 3500-4115 (71) 3500-4116

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